Fogo de sexta feira
Um vale do concelho da Guarda, nas fraldas da Serra da Estrela, onde o Rio Mondego ainda corre para norte...
quarta-feira, 7 de março de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
MAIS UM MURO PRÓ MONDEGO!
"O Rio Mondego, o maior rio com nascente em território nacional, constitui um curso de água de elevada
diversidade biológica e importância histórica, social, cultural, turística e económica, constatando-se
também que ao longo de toda a sua extensão, os aspectos ecológicos reflectem a sua unidade e
continuidade biológica que urge preservar de forma a viabilizar o desenvolvimento sustentável e
integrado de toda esta vasta região.
Nesta unidade biológica coexistem espécies florísticas e faunísticas autóctones, muitas delas endemismos
nacionais ou ibéricos, isto é, que ocorrem exclusivamente no nosso País ou na Península Ibérica. Da
grande diversidade faunística desta bacia hidrográfica, destacam-se as espécies piscícolas diádromas, tais
como a Lampreia-marinha (Petromyzon marinus L.), a Enguia (Anguilla anguilla (L.)), o Sável (Alosa
alosa (L.)) e a Savelha (Alosa fallax (Lacépède)), que utilizam o Rio Mondego e seus afluentes como
local de reprodução (e.g. Lampreia, Sável e Savelha) ou de crescimento (enguia).
Com a implementação do aproveitamento hidroeléctrico do Mondego que inclui várias barragens e
açudes, verificou-se uma acentuada alteração das características físico-químicas e ecológicas deste curso
de água e dos seus afluentes que vieram a afectar, directa ou indirectamente, as comunidades piscícolas.
Aquando da construção do Açude-Ponte, em Coimbra, há cerca de 40 anos, foi construída uma escada de
peixe. Porém, por defeito de concepção ou de construção, essa escada foi sempre intransponível para os
peixes, nunca cumprindo as funções para que estava destinada. Por esse facto, as espécies afectadas e
acima referidas, foram-se reduzindo ano após ano a montante deste obstáculo, estando hoje praticamente
extintas em toda essa vasta área de rio. O sável, a savelha e a enguia diminuíram drasticamente, enquanto
que a lampreia apenas conseguia ultrapassar aquela estrutura em anos de grandes cheias ou com a ajuda
humana.
Também a extracção continuada de inertes, feita sem critérios técnicos, e a regularização das margens
com a eliminação das plantas ripícolas autóctones, foram destruindo os habitats naturais da fauna
ribeirinha.
Entretanto, com o crescente interesse e consciencialização ambiental ocorrido nos últimos anos ao nível
Regional e Nacional, foram surgindo movimentos que apelaram à implementação de medidas de
minimização deste problema, nomeadamente através de petição pela construção de uma nova escada de
peixe, funcional e eficaz, que viria a ser entregue nesta Assembleia da República, discutida e aprovada
por todos os Grupos Parlamentares e seguidamente financiada, encontrando-se esta obra presentemente
em fase de conclusão, com um investimento aproximado de 3,5 milhões de euros.
Lamentavelmente, foi recentemente decidida a construção de uma mini-hídrica, a montante do Açude-
Ponte em Coimbra e da escada de peixe que, para além de pôr em causa todo o investimento que está a
ser feito naquela obra, será mais um obstáculo à recuperação e conservação das espécies florísticas e
faunísticas autóctones, levando a profundas alterações ecológicas deste troço do rio." (do texto da petição que circula sobre o tema)
domingo, 5 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Video sobre o Vale do Mondego e a Guarda
www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=B8v8xfABVAg
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Fogo no Vale...já em Outubro!1
O único fogo deste Verão de 2011 dentro do Vale...e já em finais de Outubro...e ebm curto felizmente!!!! Foi em Pero Soares.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Os Mostajos


Sábado, 9 de Julho de 2011
do Blog DOQUEMELEMBRO
Meruges, Mostajos e Míscaros
Não me vou alongar em definições e explicações etimológicas porque, sobre isso, existe muita informação disponível no google, para além de várias imagens.Como não tenho fotos, vai assim, a seco, apenas à força de lembranças, lembranças de bons sabores, que não se me apagam.A partir de Janeiro e mais ainda na entrada da Primavera, a salada corrente era a de meruges. Compravam-se na praça (mercado) aos molhinhos, atados com um baraço. Plantinha verde, tão pequena, tão frágil, crescida nos regatos e ribeiros que, na época da minha infância e juventude, ainda eram de águas cristalinas. Temperada com azeite, cebola e sal, raramente falhava na mesa enquanto se obtivesse fresca e viçosa. A concorrente, era a salada de agrião, mas, para mim, a de meruges era a eleita.Entrava o Verão e passavam a reinar as saladas de pepino, tomate e pimentos. Curiosamente, de alface não tenho praticamente memórias, talvez porque não fosse tão vulgar.Do Outono para o Inverno, surgiam os mostajos e os míscaros.Dito assim, parecem produtos equivalentes, mas não. Os mostajos surgiam ainda em Setembro, eram pequenos frutos, mais ou menos do tamanho de avelãs, mas de um amarelo torrado. A garotada (eu incluída), subia aos mostajeiros das redondezas para cortar os ramos de onde pendiam em cachos e eram comidos logo ali. Tinham um sabor adocicado e eram um pouco farinhentos, mas nem por isso os desdenhávamos. Dizia-se que, se comidos em quantidade, podiam até embebedar, mas acredito que esse efeito só se produziria com enorme quantidade, porque não me lembro de termos, alguma vez, ficado "tocados", com a barrigada que deles comíamos.Mas lembro-me das esfoladelas nos joelhos e de alguns tombos, felizmente sem grandes consequências.Ocorreu-me agora que esta situação (a subida às árvores) também acontecia no tempo das cerejas e das groselhas. Íamos pelas quintas que havia perto e, umas vezes com consentimento dos donos, outras à socapa, trepávamos pelos troncos para cortar pernadas carregadas desses saborosos frutos e chegávamos a casa felizes mas em estado lastimoso. Escusado será dizer que a minha mãe não achava muita graça a estas façanhas e algumas vezes tivemos de nos ir desculpar...Com o aumento da humidade outonal, apareciam nos pinhais os míscaros. As gentes das aldeias dedicavam-se a colhê-los e a levá-los aos mercados das vilas e cidades; eram, tal como as meruges, também uma fonte de rendimento. Experientes, sabiam distinguir os comestíveis dos venenosos e não era muito vulgar errarem, o que não quer dizer que não acontecesse. Na minha cidade, era também à praça que íamos comprá-los, onde eram vendidos às malgas. Três ou quatro malgas de míscaros, vertidas para um cantinho acomodado da cesta de verga, era normalmente a quantidade que a minha mãe trazia para casa. Depois, era guisá-los como se de pedaços de carne se tratasse, mas com o cuidado de incluir no tempero a colherzinha de prata que se ia buscar ao faqueiro. Era esta colherzinha que determinaria se sim ou não teríamos na mesa uma saborosa refeição de míscaros; é que, se no fim do cozinhado, ela saísse negra, sem sombra da sua cor característica, adeus míscaros, que iam do tacho directamente para a pia, porque nem para o caldeiro das viandas, serviam.Isto não aconteceu muitas vezes, mas aconteceu.Não voltei a comer míscaros desde que deixei definitivamente a cidade, nem mesmo quando voltava anualmente ou por alguma ocasião especial. O mesmo, quase posso dizer sobre as meruges e os mostajos. Das meruges, trouxeram-me uma vez uns dois ou três molhinhos, para matar saudades, mas não reconheci o sabor, por isso não quis que voltassem a trazer-mos. Dos mostajos, só pude uma vez chegar a um raquítico mostajeiro, em Vilar Maior (terra do meu avô paterno), mas estavamos em Agosto, não havia mostajos.De tudo, sobrou-me a colherzinha de prata, que anda por aqui escondida numa gaveta.
Publicada por Maria Elisa em 10:28
Meruges, Mostajos e Míscaros
Não me vou alongar em definições e explicações etimológicas porque, sobre isso, existe muita informação disponível no google, para além de várias imagens.Como não tenho fotos, vai assim, a seco, apenas à força de lembranças, lembranças de bons sabores, que não se me apagam.A partir de Janeiro e mais ainda na entrada da Primavera, a salada corrente era a de meruges. Compravam-se na praça (mercado) aos molhinhos, atados com um baraço. Plantinha verde, tão pequena, tão frágil, crescida nos regatos e ribeiros que, na época da minha infância e juventude, ainda eram de águas cristalinas. Temperada com azeite, cebola e sal, raramente falhava na mesa enquanto se obtivesse fresca e viçosa. A concorrente, era a salada de agrião, mas, para mim, a de meruges era a eleita.Entrava o Verão e passavam a reinar as saladas de pepino, tomate e pimentos. Curiosamente, de alface não tenho praticamente memórias, talvez porque não fosse tão vulgar.Do Outono para o Inverno, surgiam os mostajos e os míscaros.Dito assim, parecem produtos equivalentes, mas não. Os mostajos surgiam ainda em Setembro, eram pequenos frutos, mais ou menos do tamanho de avelãs, mas de um amarelo torrado. A garotada (eu incluída), subia aos mostajeiros das redondezas para cortar os ramos de onde pendiam em cachos e eram comidos logo ali. Tinham um sabor adocicado e eram um pouco farinhentos, mas nem por isso os desdenhávamos. Dizia-se que, se comidos em quantidade, podiam até embebedar, mas acredito que esse efeito só se produziria com enorme quantidade, porque não me lembro de termos, alguma vez, ficado "tocados", com a barrigada que deles comíamos.Mas lembro-me das esfoladelas nos joelhos e de alguns tombos, felizmente sem grandes consequências.Ocorreu-me agora que esta situação (a subida às árvores) também acontecia no tempo das cerejas e das groselhas. Íamos pelas quintas que havia perto e, umas vezes com consentimento dos donos, outras à socapa, trepávamos pelos troncos para cortar pernadas carregadas desses saborosos frutos e chegávamos a casa felizes mas em estado lastimoso. Escusado será dizer que a minha mãe não achava muita graça a estas façanhas e algumas vezes tivemos de nos ir desculpar...Com o aumento da humidade outonal, apareciam nos pinhais os míscaros. As gentes das aldeias dedicavam-se a colhê-los e a levá-los aos mercados das vilas e cidades; eram, tal como as meruges, também uma fonte de rendimento. Experientes, sabiam distinguir os comestíveis dos venenosos e não era muito vulgar errarem, o que não quer dizer que não acontecesse. Na minha cidade, era também à praça que íamos comprá-los, onde eram vendidos às malgas. Três ou quatro malgas de míscaros, vertidas para um cantinho acomodado da cesta de verga, era normalmente a quantidade que a minha mãe trazia para casa. Depois, era guisá-los como se de pedaços de carne se tratasse, mas com o cuidado de incluir no tempero a colherzinha de prata que se ia buscar ao faqueiro. Era esta colherzinha que determinaria se sim ou não teríamos na mesa uma saborosa refeição de míscaros; é que, se no fim do cozinhado, ela saísse negra, sem sombra da sua cor característica, adeus míscaros, que iam do tacho directamente para a pia, porque nem para o caldeiro das viandas, serviam.Isto não aconteceu muitas vezes, mas aconteceu.Não voltei a comer míscaros desde que deixei definitivamente a cidade, nem mesmo quando voltava anualmente ou por alguma ocasião especial. O mesmo, quase posso dizer sobre as meruges e os mostajos. Das meruges, trouxeram-me uma vez uns dois ou três molhinhos, para matar saudades, mas não reconheci o sabor, por isso não quis que voltassem a trazer-mos. Dos mostajos, só pude uma vez chegar a um raquítico mostajeiro, em Vilar Maior (terra do meu avô paterno), mas estavamos em Agosto, não havia mostajos.De tudo, sobrou-me a colherzinha de prata, que anda por aqui escondida numa gaveta.
Publicada por Maria Elisa em 10:28
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
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